Lorni

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  • Client
  • Welcome The Future
  • Role
  • Design UX/UI
  • Ano
  • Q2 2021
  • Local
  • Salvador, BR

1. Product & Problem

Software escolar costuma ser desenhado para a escola que tem banda larga. O Lorni foi desenhado para o Brasil inteiro, onde a rede cai, o pacote de dados acaba no dia 20 e a escola pode estar a horas da cidade mais próxima.

Isso muda o que a palavra “online” significa. Se a aula só existe conectada, a plataforma exclui exatamente quem ela dizia querer alcançar. A aula precisa descer pro aparelho e continuar funcionando sem rede.

O segundo problema é mais velho que a internet: prova a distância dá para colar. Não adianta digitalizar a escola pública se o resultado não vale nada.

Um produto que assume conexão boa já escolheu quem vai deixar de fora.

2. My Role & Contribution

Design UX/UI para a Welcome The Future, em Salvador, no Q2 de 2021. Trabalhei nos três perfis do produto, no mural e no fluxo de exercício e prova.

A restrição de conectividade não era detalhe técnico para resolver depois. Entrou como matéria de projeto desde o começo, e é ela que explica quase toda decisão daqui pra frente.

3. Key Design Decisions

Baixar a aula, não transmitir a aula. O aluno leva o conteúdo pro aparelho e estuda offline. A sincronização acontece quando a rede volta, e nada do que ele fez no meio do caminho se perde.

A prova é sorteada de um banco de questões. Cada aluno recebe um conjunto diferente, então trocar resposta com o colega deixa de funcionar. Não é vigilância, é estrutura: em vez de tentar impedir a cola, o sistema tira o proveito dela.

A casa é o mural, não a lista de matérias. A tela inicial é um feed com o que a turma fez, o que o professor postou e o que a secretaria comunicou, filtrável por conquistas, apostilas, exercícios e secretaria. O exercício é respondido ali mesmo, sem sair pra outro módulo.

Mural do Lorni no desktop: cartão do aluno na lateral, feed com atividade da turma e exercício respondível, calendário e notificações à direita

Rede social é a linguagem que essa geração já lê sem manual. Usar essa gramática não foi enfeite, foi economizar o esforço de aprender a ferramenta para sobrar esforço para aprender a matéria.

O cartão do aluno diz a que ele pertence. Nome, escola, turma e progresso da unidade ficam fixos na lateral. Para quem estuda em rede pública, pertencer à Escola Maria Quiteria e à Turma B não é metadado, é identidade.

Três perfis, um calendário. Aluno, professor e gestor veem o mesmo calendário acadêmico por ângulos diferentes. Para o aluno, o calendário é o que transforma prazo em compromisso, que é o hábito mais difícil de ensinar e o mais útil de sair carregando.

4. The Outcome

O que ficou desenhado: plataforma que funciona com a rede caída, mural como porta de entrada, exercício respondível no fluxo, banco de questões com prova sorteada e calendário compartilhado entre os três perfis.

Não tenho número de adoção deste projeto para mostrar, e não vou inventar um. O que dá para verificar é o desenho e a restrição que ele assumiu.

O produto saiu do papel e segue mantido — hoje na Play Store, reposicionado como plataforma de conhecimento corporativo (a versão iOS, escolar, foi descontinuada).

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Alcance não é quantas escolas cabem. É quais escolas não ficam de fora.

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